sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


Lacaios da usura são os muros caiados da repetição. Dos recorrentes esquemas do pensamento e nossa absurda e fácil rendição a tais esquemas.

Nossa rendição a tais esquemas nos faz acreditar que somos somente a casca e não, inclusive, o fruto que a mesma envolve. O grande segredo da noz está no sabor que o fruto segreda em si mesmo. Daí a impertinência da casca em se julgar a própria noz.

Somos milhares de cascas andarilhas, perambulando de um lado para outro, sem consciência do próprio fruto, de sua essência de noz, em estado puro.

Como muros caiados nos mostramos cheios, quando estamos vazios. Pois a presença do fruto só é sentida quando ocorre antes a lembrança do fruto, culminando no conhecimento da noz, em sua realidade.

Mas, porque nos cremos cascas, e porque fomos desde tenra idade treinados e moldados a crer que fomos, somos e seremos eternas cascas, sempre que uma n(v)oz desponta, dizendo “lembrem”, nos viramos e bradamos “louco”!

Somos lacaios da usura. Escravos da repetição. Somos muros caiados. Fantoches da convenção. E estaremos em ritos exotéricos e solenidades, hasteando bandeiras e recitando versos, sendo heróis e mercenários. Somos "mobile" de todos esses ritos que nos subtraem de nossa condição e nos levam a pensar que somos “isso”: apenas essa casca sem viço, ostra sem pérola, gota sem oceano.

Contudo, ainda que não queiramos, a casca há de se quebrar um dia.

Um comentário:

Roberto Leandro disse...

"a única verdade é a realidade"