domingo, 6 de dezembro de 2009

Semente



Eu tenho sido indiferente a essa insignificante semente... e regado o roseiral alheio com minhas lágrimas...

Eu tenho ignorado essa semente por achar que outros a regarão, assim como tenho regado seus jardins...

Mas a semente continua ali... quase esquecida... entre viva e morta... cujas únicas lágrimas que a salvam da secura iminente vêm dos olhos de Deus, através da chuva...

Pois as pessoas estão acostumadas às rosas e seu inebriante perfume, muitas vezes esquecendo que tudo começou na semente...

Deus! agora percebo essa semente... e já abri na gleba um fulcro onde a coloquei... e a tenho regado, ainda que de forma indisciplinada (ainda não me convenci totalmente de que cabe a cada um regar seu próprio jardim e às vezes quero fazer isso por outrem...)...

Mas eu creio que todos os jardins se encontram um dia... formando um sistema harmonioso e sereno...

Espero que ainda tenha tempo de regar minha semente, dar-lhe o devido valor e merecer que o meu próprio roseiral floresça com a chuva dos meus olhos...

Um comentário:

Goretti disse...

Júlio,
maravilhoso!
Também tenho a sensação de que os jardins se encontram...
E por que não regar um pouco o jardim de outrém?
Mas, sem, é lógico, esquecermos de umidecermos o nosso!
Bjão