segunda-feira, 11 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Dois poemas
GESTAÇÃO
O profundo fundo mar absoluto
é uma concha recolhida que ausculto
uma concha de outro mar que se perdeu
uma concha do oceano que era eu
mar imerso no oceano do teu útero
oceano do infinito absoluto
no infinito do cordão umbilical
quando sol eu era, feito sal
da Terra.
MOTO-PERPÉTUO
Nívea nuvem sobre o negro coração
nunca a noite foi tão clara como então.
Nunca o ritmo do rio que retorna
com seu rito repetido se renova
posto que águas abundantes amealhem
comuns cursos que comuns nunca serão.
Passam rios diferentes pelo leito
e meu rosto diferente é o mesmo
pois diversa a imagem ao espelho
não diverge da imagem que não vejo.
Eu aspiro ao que não tenho; o que quero
está longe do que alcanço e postergo
quando alcanço algo outro é meu desejo.
O profundo fundo mar absoluto
é uma concha recolhida que ausculto
uma concha de outro mar que se perdeu
uma concha do oceano que era eu
mar imerso no oceano do teu útero
oceano do infinito absoluto
no infinito do cordão umbilical
quando sol eu era, feito sal
da Terra.
MOTO-PERPÉTUO
Nívea nuvem sobre o negro coração
nunca a noite foi tão clara como então.
Nunca o ritmo do rio que retorna
com seu rito repetido se renova
posto que águas abundantes amealhem
comuns cursos que comuns nunca serão.
Passam rios diferentes pelo leito
e meu rosto diferente é o mesmo
pois diversa a imagem ao espelho
não diverge da imagem que não vejo.
Eu aspiro ao que não tenho; o que quero
está longe do que alcanço e postergo
quando alcanço algo outro é meu desejo.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Ecoa em mim o som da flauta de bambu...
E a lágrima que escorre pela face desce pela nuvem,
E os braços fortes do vento são os que embalam a criança,
E o verme que consome a morte é o que alimenta a vida.
Aqui um velho falece ali nasce um pequenino,
Os ombros que se curvam são aqueles que se abrem,
O sol que queima o rosto também beija a lua.
Então eu compreendo a vida quando ecoa a flauta...
Porque, dentro de mim, não há mais nada.
A flauta quando toca me separa
De tudo que não sou e aí sou tudo
E tudo a mim se mostra de maneira clara.
Assim a flauta ecoa sem passado,
A flauta ecoa assim sem ter futuro,
Além do que é agora não há nada.
Se a flauta ecoa em mim me desconheço,
Aquele que a ouve sou e é mais que eu,
Aquele que a ouve é a própria flauta,
Aquele que a ouve é a melodia,
Aquele que a ouve é sua alma.
A flauta quando ecoa é sua alma
Na alma que há em mim e em tudo à volta.
O mundo é sua alma e sua flauta.
Assim percebo a vida que não vejo
Com olhos que não tenho
E ouço a melodia sem ouvidos
Porque, dentro de mim não há mais nada.
A mesma coisa encerram ocaso e alvorada,
A música que há em mim é a mesma que te embala.
Da flauta de bambu ecoa a lágrima
Que desce pela nuvem e pela face
E quando se encontram outro sol nasce
E tudo se aquieta, nada se separa.
Eu ouço o som da flauta e agora entendo
além do que eu pense, ou compreenda,
E além do que eu sinta, ou me emocione,
O som da flauta une a quem separa
E muitas tantas são as árias,
Sim as árias
Que ecoam numa só
Eternamente,
A flauta que ecoa em nossas almas.
E a lágrima que escorre pela face desce pela nuvem,
E os braços fortes do vento são os que embalam a criança,
E o verme que consome a morte é o que alimenta a vida.
Aqui um velho falece ali nasce um pequenino,
Os ombros que se curvam são aqueles que se abrem,
O sol que queima o rosto também beija a lua.
Então eu compreendo a vida quando ecoa a flauta...
Porque, dentro de mim, não há mais nada.
A flauta quando toca me separa
De tudo que não sou e aí sou tudo
E tudo a mim se mostra de maneira clara.
Assim a flauta ecoa sem passado,
A flauta ecoa assim sem ter futuro,
Além do que é agora não há nada.
Se a flauta ecoa em mim me desconheço,
Aquele que a ouve sou e é mais que eu,
Aquele que a ouve é a própria flauta,
Aquele que a ouve é a melodia,
Aquele que a ouve é sua alma.
A flauta quando ecoa é sua alma
Na alma que há em mim e em tudo à volta.
O mundo é sua alma e sua flauta.
Assim percebo a vida que não vejo
Com olhos que não tenho
E ouço a melodia sem ouvidos
Porque, dentro de mim não há mais nada.
A mesma coisa encerram ocaso e alvorada,
A música que há em mim é a mesma que te embala.
Da flauta de bambu ecoa a lágrima
Que desce pela nuvem e pela face
E quando se encontram outro sol nasce
E tudo se aquieta, nada se separa.
Eu ouço o som da flauta e agora entendo
além do que eu pense, ou compreenda,
E além do que eu sinta, ou me emocione,
O som da flauta une a quem separa
E muitas tantas são as árias,
Sim as árias
Que ecoam numa só
Eternamente,
A flauta que ecoa em nossas almas.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Seio de Minas
Eu nasci no celeiro da arte
No berço mineiro
Sou do campo da serra
Onde impera o minério de ferro
Eu carrego comigo no sangue
Um dom verdadeiro
De cantar melodias de Minas
No Brasil inteiro
Sou das Minas de ouro
Das montanhas Gerais
Eu sou filha dos montes
Das estradas reais
Meu caminho primeiro
Vi brotar dessa fonte
Sou do seio de Minas
Nesse estado um diamante.
The Verve - One day
Talvez um dia nós iremos dançar novamente
Sob os céus em fogo
Talvez um dia voce ame novamente
Amor que nunca morre
Um dia talvez voce verá a terra
Tocará a areia
Voce esteve nadando no mar solitário
Sem companhia
Oh, voce não quer encontrar?
Não consegue ouvir essa beleza na vida?
As estradas, as montanhas, atravessando sua vida?
Não consegue ouvir essa beleza na vida?
Talvez um dia voce vá chorar novamente
Como uma criança
Voce tem que se amarrar ao mastro, meu amigo
E a tempestade vai terminar
Oh,voce não quer encontrar?
Não consegue ouvir essa beleza na vida?
As estradas,as montanhas,atravessando sua vida?
Não consegue ouvir essa beleza na vida?
Oh, você está com tanto medo de tocar,
Tanto medo que irá gostar tanto,
As estradas,as montanhas,atravessando sua vida?
Não consegue ouvir essa beleza na vida?
Talvez um dia eu dance novamente
Um dia eu amarei novamente
Um dia nós dançaremos novamente
Você sabe que tem
que se amarrar ao mastro meu amigo
E a tempestade vai terminar
Um dia você amará de novo
Você tem que se amarrar ao mastro meu amigo
E a tempestade vai terminar
domingo, 23 de janeiro de 2011
Amar é não ter escolha

Amar é ter todas as opções e apenas uma escolha...
Quando você descobre que não há escolha
que importância pode haver
neste ou naquele atalho
se todos vão dar no mesmo?
A escolha é quem te escolhe
então duvide da mente
duvide do mundo
duvide das pessoas
e acolha o que diz o coração.
Quando não há escolha
você apenas ouve na alma
os sussurros da vida
e segue...
Quando se coloca a intenção
com toda a ternura do ser
o caminho se abre como janelas
para um céu de promissão
e realidade aqui, agora...
O céu se abre quando cessa a escolha.
A vida inteira você tem oscilado
entre sim e não, isto e aquilo.
Durante toda a vida você tem sido
escravo da dúvida:
ora acatando a resposta
que outros deram por você,
ora acolhendo sem questionar
meras opiniões.
Como você pôde ser refém por tanto tempo?
E acolher tantas respostas
que não lhe dizem respeito
quando sequer sabia pronunciar as perguntas?
Como pôde você ter se enganado assim?
Ó, para aquele que deu um único passo real
não existe mais opção, nem retorno...
Ao olhar seus pares humanos
enxergará além de seus olhos, e não será visto;
falar-lhes-á da não escolha
mas não será ouvido;
tocar-lhes-á com dedos da alma
e não será sentido.
Este é o nexo de
estar no mundo sem ser do mundo.
Aqueles que poderiam vê-lo
não estarão por perto.
Aqueles que poderiam ouvi-lo
não terão como responder.
Aqueles que o sentiriam
não poderão atestar.
Não como fazem olhos, ouvidos
e tatos desse mundo.
Aqueles que dele sabem
estarão longe, e tão perto
(e ele sabendo daqueles).
Irmãos do caminho são solitários,
mas cheios da presença;
porque ultrapassaram a dúvida
e todos os atalhos.
Ah, o caminho do amor
é como a luz de todas as estrelas
e seu brilho a única alternativa.
Amar é não ter nenhuma escolha.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Prece de Natal

Senhor, o que serão os dias futuros
senão um acúmulo de agoras?
Fazei do nosso instante
a presença da eternidade.
Senhor, o que é o tempo passado
senão a lembrança de algo que não é mais?
Fazei-nos inteiros sempre,
para que a lembrança não amargue em saudade.
Senhor, o que é fidelidade
senão a alma que escuta o coração?
Fazei-nos incoerentes com o mundo aparente
para sermos unos com a verdade.
Senhor, o que é a fé
senão a capacidade de ausentar-se
de toda distração e desejo
e ainda assim inundar-se de esperança?
Elevai nossa fé
à força do grão de mostarda.
Senhor, o que é a bondade
senão saber ouvir, ousar, fazer e calar?
Fazei-nos mansos como cordeiros
e prudentes como serpentes.
Senhor, o que seriam as palavras
sem a substância da fala
e os ecos da alma?
Pois nem tudo que se diz
é o que se pensa
e nem tudo que se pensa
é o que se sente.
Fazei-nos sábios para falarmos
com o coração
e sapientes serão todas as palavras.
Senhor, o que é a humildade
senão o desconhecimento do orgulho?
Fazei-nos despojados
e cônscios de que nada somos, possuímos.
E seja esta nossa maior fortuna.
Senhor, o que é o Amor
senão a maneira concedida a cada um
de cumprir com Vossa Vontade?
Fazei com que nossa primeira recordação
ao despertar seja o Vosso Nome.
Senhor, para o que fomos criados
senão para o reencontro?
Fazei-nos polidores de espelhos
para que neles se reflita o Sol.
Senhor, que o Natal
seja o contínuo renascer da consciência
e Seu Espírito se manifeste
nos corações despertos e harmoniosos.
Ajudai-nos
a sentir o ”sempre” no “instante”,
a celebrar o céu dentro de nós,
a ser canal do amor sem posse,
e ser do amor que passa o amor que fica
em cada gesto, em cada despedida,
em cada encontro, choro ou riso,
o amor que nunca muda
e muda tudo: transforma a mão que agride
em acalanto
e faz do pranto mudo esse sorriso,
e do velho sisudo uma criança.
E desperta na gente essa certeza
de que Deus é o próprio Amor, em sua grandeza,
e nós as filigranas dessa Estrela
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