terça-feira, 14 de outubro de 2008

Mais que isso

Há muito viajas pela roda de samsara. Viste flores murchas, vencidas estações. Viste folhas secas, no outono debruçadas. Disseste, no colo do tufão: “eu volto”! Mas danças desde o esquecimento.
Cruzaste o tempo corroído com velhas sandálias. Vê o teu mirrado manto, quão precário!
Vê, em tuas mãos, o pó da farsa. Assim como a estação, teu corpo também passa. Vê, em tuas mãos, o pó da farsa.
Serás, eternamente, solitário. Um ponto, de muitos separado. Enquanto pelas mãos, quanto sonhares, serás, em todos os lugares, apenas esse ponto abandonado.
Até perderes tudo, miserável, até sumir das mãos o pó da farsa, até sumir a mão e a própria farsa, serás apenas grão, na paisagem.
Serás apenas grão, na paisagem, até romper-se o grão da tua imagem e não restar nem grão, nem paisagem. E não restar sequer a tua imagem.

Um comentário:

Goretti disse...

Sabe que de uma maneira ou de outra, todos nos sentimos assim?

Um grão que faz parte....

Mas que está dissociado.......

Que um dia se esvai......

E acaba tudo...... inclusive a ilusão, que vc chama de farsa.....

Lindo mesmo!

Obrigada por proporcionar-me um momento tão lindo! Bjs Goretti